Maçonaria e Igreja - Passado e Presente.

1-Introdução

Embora não me considere a pessoa mais indicada para a desenvolvê-lo, julgo ser este um tema privilegiado para a elaboração de um trabalho, dado que provoca grande interesse tanto dentro como fora da Maçonaria.

Analisando a questão concluí que podemos partir de duas afirmações que parecem inquestionáveis, são elas:

  • A Maçonaria foi muito próxima da igreja e da religião;
  • Hoje a Maçonaria está muito distante das igrejas, mas, na grande maioria das lojas, ainda está próxima da religião.

Estas duas afirmações sugerem uma pergunta: -Por que este processo de distanciamento se deu?

Ao pesquisar o tema deparamo-nos facilmente com manifestações agressivas contra a Maçonaria emitidas por clérigos, religiosos e simpatizantes. Nestas circunstâncias nos ocorre uma segunda questão: -Qual o motivo desta agressividade para com a Maçonaria?

Foi com o objetivo obter alguma luz sobre estas duas questões que este trabalho foi escrito.


2-A Origem da Maçonaria: Próxima da Igreja

As referências
Qualquer um que tenha prestado mínima atenção aos ritos maçônicos perceberá com facilidade a grande quantidade de referências bíblicas contidas nestes. Ao se aprofundar um pouco o estudioso de assuntos maçônicos poderá verificar que aqueles que criaram os rituais certamente eram grandes conhecedores da Bíblia. Assim, a leitura da Bíblia é certamente uma forma de obter esclarecimentos sobre as origens de algumas referências muito constantes no meio maçônico. Alguns exemplos são os seguintes:

  • A expressão "a Maçonaria é viúva", ou os maçons são "os filhos da viúva", é derivada do fato de que Hirão era filho de uma viúva (1 Reis, 7,14).;
  • A nomenclatura dada às colunas pode ser encontrada nos livro dos Reis;
  • Em Mateus no capítulo 1 lê-se: Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Estudando a genealogia pode-se constatar que Jesus descende de Salomão, seria Ele a quadragésima geração de Abraão. O nome de uma das colunas aparece nesta seqüência genealógica como um dos antepassados de Salomão e Jesus.

Construindo Catedrais
Outra conhecida evidência de proximidade é a história da maçonaria operativa. Estes maçons foram os mestres e os operários construtores da Idade Média, associados em guildas, foram os verdadeiros artistas que ergueram as majestosas catedrais românicas e góticas, os grandes castelos e as fortificações, verdadeiros monumentos arquitetônicos que ainda hoje podem ser admirados em tantas cidades da Europa. Por conseguinte, tinham a Igreja Romana como sua principal cliente.

Templários
No livro "Born In Blood: The Lost Secrets of Masonry [Nascida em Sangue: Os Segredos Perdidos da Maçonaria]" o historiador John J. Robinson demonstra as relações de origem da Maçonaria entre "Os Pobres Cavaleiros de Cristo", que era como se autodenominavam os Templários, uma ordem militar eminentemente católica destinada a proteger os peregrinos que rumavam à Terra Santa. Relata também como esta ordem foi perseguida por reis e papas depois que amealhou grande riqueza.

Destas três relações de proximidade histórica podemos concluir que, com grande probabilidade, ou Maçonaria se originou do seio da Igreja ou dela recebeu enorme influência no seu início.


3-A visão das igrejas;

Católicos
A Igreja Católica tem uma longa história de manifestações oficiais condenando a Maçonaria. Desde o Papa Clemente XII, com a Constituição Apostólica de 1738, até nossos dias, a Igreja tem proibido aos fiéis a adesão à Maçonaria ou associações maçônicas. O Código de Direito Canônico de 1917 previa pena de excomunhão a quem ingressasse na Maçonaria. Após o Concílio Vaticano II, em 1963, houve quem levantasse a possibilidade de o católico, conservando a sua identidade, ingressar na Maçonaria. Para superar essa interrogação, um documento da Congregação para a Doutrina da Fé, com data 1983, esclarece que é vedado a todos católicos, eclesiásticos ou leigos, ingressarem nessa organização e quem o fizer, está "em estado de pecado grave e não pode aproximar-se da Sagrada Comunhão". O novo Código de Direito Canônico, também de 1983, assim se expressa: "Quem se inscreve em alguma associação que conspira contra a Igreja, seja punido com justa pena; e quem promove ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito" (cânon 1374). Vale destacar que a Maçonaria é considerada uma destas associações que conspiram contra a Igreja. Ao todo existem na história mais de 15 condenações oficiais.

Abaixo transcrevo parágrafo da Encíclica Dall´Alto Dell´Apostolico Seggio, do Papa Leão XIII sobre a Maçonaria na Itália, que representa o teor do pensamento católico no passado:

"Agora é desnecessário colocar as seitas Maçônicas em julgamento. Elas já estão julgadas; seus fins, seus meios, suas doutrinas, e sua ação, são todos conhecidos com indisputável certeza. Possuídos pelo espírito de Satanás, cujos instrumentos eles são, eles ardem como ele com um ódio mortal e implacável a Jesus Cristo e Sua obra; e eles se esforçam por todos os meios para derrubá-la e acorrentá-la".

Como manifestação individual recente de um eclesiástico católico poderíamos citar, entre vários outros autores de mesma origem que escrevem sobre a questão, Dom Boaventura Kloppenburg que, em sua obra "Igreja e Maçonaria: conciliação possível?" conclui no capítulo XI, que existe uma "frontal oposição de doutrinas" entre a Maçonaria e a Igreja católica, o que é motivo suficiente para a condenação da primeira.

Outras Igrejas
Pelo lado das igrejas evangélicas não há a unicidade de pensamento expressa pelo posicionamento de um poder central como o Vaticano. Estas igrejas, quando comparadas à Católica são muito fracionadas administrativamente e em sua visão teológica, além de possuírem um menor número de fiéis. No entanto, isto não impede que as frações mais organizadas manifestem-se formalmente acerca do assunto. Infelizmente, várias destas manifestações seguem a linha de pensamento dos católicos.

O padre Estevão Bettencourt em seu opúsculo "Por Que Não Sou Maçom?" relata detalhadamente que Metodistas Ingleses, Anglicanos, Luteranos americanos e cristãos ortodoxos possuem condenações oficialmente manifestadas à Maçonaria.

Manifestações de simpatizantes:
Se as igrejas, católica ou evangélicas, pelo menos em tempos mais recentes, apresentam um certo comedimento em suas condenações à Maçonaria, o mesmo não pode ser dito de seus seguidores e simpatizantes. Sejam estes de que origens forem, muitas vezes, demonstram-se fortemente agressivos e hostis à Maçonaria. A título de exemplo desta atitude reproduzimos abaixo algumas frases retiradas de "sites" mantidos por evangélicos e católicos na Internet:

  • "Maçonaria... uma religião muito mal disfarçada! O fato que nos interessa aqui é comprovar aos olhos de todos que a maçonaria é exatamente o que os seus adeptos negam. Ela é um grupo religioso com propósitos espirituais bem definidos e contrários à Palavra de DEUS." Instituto de Pesq. Teológicas (http://www.ipet.com.br/esot/mac_001.html);
  • "Fontes Satânicas Afirmam Que os Cavaleiros Templários Eram Satânicos! Mais Evidência Que a Maçonaria Também Seja Satânica!" (http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=179);
  • "O Sr.Fedeli informa-me que o Padre é membro da maçonaria ocidental, e que ambas as maçonarias estariam unidas nessa empreitada pois, assim como judeus e romanos uniram-se para crucificar o Cristo, agora também as forças maçônicas do oriente e do ocidente uniram-se movidas pelo interesse comum de impedir a vitória do ristianismo. " (http://www.olavodecarvalho.org/textos/fedeli4.htm)
  • Na "Scarants Home Page" (http://www.netpar.com.br/scarant/orare.htm) pode-se encontrar várias orações de renúncia a Maçonaria, uma entre as várias contidas no site é a seguinte: -"Pertenço" ao Senhor Jesus Cristo, corpo, alma espírito. Seu Sangue me protege de todo o mal. No nome de Jesus, confesso agora que tenho sido culpado do pecado de idolatria na Loja Maçônica (1Jo 1.9). Concordo com o Senhor, chamo a esse envolvimento de pecado, e peço-lhe para removê-lo completamente da minha e das vidas dos meus familiares". No mesmo site é possível ler um pequeno texto explicando: "O papel da Maçonaria na existência do 666", o número da Besta.


4-A visão da Maçonaria;

Depois de pesquisar, consegui obter muito pouco que represente especificamente uma posição pública e oficial da Maçonaria acerca da Igreja Católica ou das demais igrejas. Assim sendo, o que podemos mencionar são princípios gerais e postulados, iguais aos da Maçonaria Universal, respeitados por potências nacionais como o GOSP ou o GOB. Alguns destes referenciais parecem ser especialmente apropriados para orientar a posição nas controvérsias com igrejas e religiões. São eles, a Maçonaria:

  • Afirma que o sectarismo político, religioso ou racial é incompatível com a universalidade do espírito maçônico. Combate à ignorância, a superstição e a tirania;
  • Proclama que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas;
  • Defende a plena liberdade de expressão do pensamento;
  • Supõe existência de um princípio criador, o Grande Arquiteto do Universo;
  • Proíbe a discussão ou controvérsias sobre matéria político partidária, religiosa ou racial, dentro dos templos ou fora deles, em seu nome;

Independente das posições públicas das instituições maçônicas acerca das igrejas e das questões religiosas, devemos reconhecer o fato de que as relações inamistosas com a Igreja Católica, pelo menos no Brasil, decorrem de atitudes agressivas de ambas as partes. Isto ocorre de longa data. Na época da questão religiosa e nos anos seguintes (1872-1880) os ataques ao clero eram constantes, violentos e publicados no Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil (diga-se, a bem da verdade, que, nesta época, os ataques do clero aos maçons não eram menos constantes).

Este tipo de relação não se ateve a ataques verbais. O livro "O crime do padre Sório: maçonaria e igreja católica no Rio Grande do Sul" conta a história do espancamento, castração e morte do padre Antônio Sório em 1900. As razões que motivaram o crime misturam-se ao violento enfrentamento entre a Igreja Católica e a Maçonaria ocorrido no Brasil e mais especialmente no Rio Grande do Sul, nos primeiros 30 anos do século XX. Em meio à problemática local de uma comunidade de imigrantes, essa tese demonstra as complicadas relações de poder estabelecidas entre a Maçonaria e os governos do Partido Republicano Riograndense entre 1893-1928. Nesse mesmo período a Igreja Católica no Rio Grande do Sul, passa por um processo de grande centralização e reforma. Todos estes fatores são estudados para buscar compreender como se estabeleceu o discurso mítico, formulado pelos padres palotinos, responsabilizando a Maçonaria pelo crime cometido contra o Padre Sório, quando esta responsabilidade nunca chegou a ser provada.

Opiniões individuais
Vários são os maçons que se manifestam publicamente acerca da Igreja e das relações desta com a Maçonaria. Curiosamente nenhuma destas manifestações de que tomei conhecimento tem um caráter virulento e hostil como aquele manifestado por alguns católicos e evangélicos. Normalmente não há agressão e o teor tende a ser descritivo (consubstanciado em fatos), opinativo e analítico.

Para ilustrar transcrevo abaixo parte de um texto de autoria de Renato Brenner Napoleão -M.'. I.'. Loja Atlântica N° 15 publicada no Jornal "O Templário" em abril de 1998:

"A CNBB há alguns anos vem realizando com a presença de bispos e sacerdotes, bem como um grupo de maçons convidados, estudo cujo assunto principal era saber se a doutrina católica, era ou é compatível com a doutrina maçônica. Após inúmeras discussões, que duraram anos, os maçons não conseguiram obter nenhuma declaração favorável à maçonaria. Sempre esbarraram nos cânones do Vaticano, em vigor até hoje. Na última reunião, realizada no dia 13/10/1997, o tema conciliabilidade entre maçonaria e igreja católica foi abandonado e foi agendado: o simbolismo dos três primeiros graus, com interpretação católica e interpretação maçônica. Por tudo o que já foi apresentado documentadamente, preferimos concordar com o Padre Jesus Hortal:
"Maçonaria e Igreja Católica são simplesmente inconciliáveis, com uma inconciliabilidade que não depende de conjunturas históricas, nem de ações particulares, mas que é intrínseca à própria natureza de ambas as instituições".".



5-Algumas razões das para divergências entre Maçonaria e as Igrejas.

O Conflito de Interesses: A História reporta que a Maçonaria no passado possuiu em seus quadros grande número de religiosos. O convívio deste com pessoas de outros credos e formas de pensamento representava uma fonte de influência sobre o pensamento e comportamento destes religiosos. Para evitar que isto continuasse se contrapondo aos interesses da Igreja "a partir do Papa Pio IX, alguns representantes da Igreja quiseram dar um basta na intromissão dos maçons nas irmandades religiosas e na influência que ela exercia nos próprios padres e através deles, na sociedade" e passaram a ter uma atitude ostensiva de distanciamento.
(http://www.ars.com.br/projetos/ibrasil/1999/textref/texto21.htm)


A Essência: Uma instituição que preconiza a liberdade religiosa, o respeito às divergências filosóficas, que defende a plena liberdade de expressão do pensamento, que proclama a tolerância como princípio cardeal nas relações humanas certamente em nada colabora com as pretensões de quaisquer religiões, que, via de regra, se proclamam como detentoras inquestionáveis da "única verdade aceita". Simultaneamente, ao defender o combate a ignorância, à superstição e à tirania a Maçonaria coloca-se em rota de colisão com quase todas as igrejas e religiões.

O Desconhecimento: o Pe. Valério Alberton afirma acerca de seu livro: "Realizei este trabalho também para cumprir com um elementaríssimo dever de justiça... De fato, esta reparação é uma necessidade, já que ataquei, não poucas vezes, a Maçonaria e os Maçons, sem muito conhecimento de causa e parcialmente, praticando injustiças e erros objetivos".
(http://www.atrolha.com.br/asp/trabalhos.asp?id=176)


6-Conclusão

O Ir.'. Fadel David Antonio Filho descreve em poucas linhas o que parece ser a síntese do pensamento de muitos maçons acerca desta questão: "a Maçonaria sempre foi um desses alvos prediletos de muitos ditadores, padres, bispos e pastores religiosos que enxergam em toda parte o perigo e o demônio. Vêem na Maçonaria o Anticristo, a seita demoníaca que luta contra suas posições pretensamente divinas. Na realidade, são posições autoritárias, medievais e mesquinhas. Afinal, a Maçonaria sempre lutou contra a tirania, pela liberdade do homem e contra os usurpadores, os medíocres e os fanáticos". (http://grandeloja-pb.org.br/letras_masonreligiao.htm)

De fato, concordando com o Ir.'. Fadel, devemos lembrar que a política de criar inimigos fictícios sempre foi usada pelos mais diversos lideres como forma de manter a aglutinação da massa de liderados. Assim sendo poderíamos dizer que a Maçonaria pode ser um "demônio ou inimigo útil" para as igrejas, que nela podem evidenciar um possível centro de atividades anticristãs a ser combatido.

Por outro lado, algumas características da filosofia maçônica, como já dito, tendem a provocar conflito com os crédulos de toda espécie. A tendência ao racionalismo, o combate à ignorância e às supertições colocam a maçonaria em posição antagônica às igrejas.

Por fim, infelizmente, enquanto a Maçonaria possuir um caráter de sociedade secreta, o que é parte de sua essência, ela será alvo de manifestações desinformadas, maldosas, preconceituosas e detratoras, independentemente daquilo que os maçons praticarem em loja ou fora dela.

16 comentários:

leaoimperial disse...

Estou passando para deixar um grande abraço!

leaoimperial disse...

Estou passando para deixar um grande abraço!

Pensador disse...

Salve Lion,

Are you British?

Volte sempre. Como pode ver o blog está crescendo.

Um TFA

Anônimo disse...

S.:F.:U.: Queridos Irmãos! O trabalho está com grande qualidade,justo e perfeito. UM T.:F.:A,:
Guilherme GALVÃO

Pensador disse...

Obrigado Ir:. Guilherme

É bom receber feedback. Volte sempre, em breve acrescentarei muito outros artigos.

GiovanniMJ disse...

Belo trabalho bem fácil de Assimilar seu conteúdo apesar de ser e será sempre um Tema bastante Delicado de se Relatar.

Meu comentário a respeito desse Conflito Igreja x Maçonaria, até aonde pude entender, é que por parte da Igreja Católica SEMPRE esteve presente esta repúdia contra a Maçonaria e a recíproca nã é verdadeira pois, como bem relatou o Ir.'. neste trabalho, a Maçonaria sempre pregou o respeito a todos os CREDOS e RELIGÕES. Deste ponto faço minhas considerações(Voltemos ao século XVII, onde se dá o início da Maçonaria Especulativa ou Moderna) A Maçonaria aceitava e aceita até hoje em seu meio, homens livres e de bons costumes, indepedentemente do seu CREDO e RELIGIÃO, neste ponto a IGREJA CATÓLICA se viu vulnerável na perda de fiéis pois esta "Sociedade Secreta" dava o direito e respeito ao iniciado seguir sua religião de escolha desde que esta acredite em um Ser Superior.
Diante disto e pelo fato de desconhecimento do conteúdo dessas "Sessões Secretas dos Maçons" a Igreja pregando o Cristianismo, começou este conflito com Bulas de Excomunhão aos Maçons e quem fôra participar da mesma e que perduram até os Dias atuais.
A Igreja Católica está mais flexível hoje, graças a muitos Padres que respeitam a Maçonaria e os Maçons e promovem ações em conjunto com a comunidade em pról dos mais necessitados, causas estas sempre comuns entre as duas Entidades.

IR.'.Giovanni.

e-mail giovannimg@terra.com.br

Anônimo disse...

Não tenho ideia do que seja a maçonaria mas tenho um pricipio que tudo aquilo em que ha a pratica o bem a caridade e observancia das leis é benefico e nunca tenho ouvido falar que maçon infringisse alguma lei portanto admiro os maçons

OBSERVADOR disse...

Pelo que vim a entender, a Maçonaria tíra dos homens as rédeas e os tapumes. Estando os homens livres para pensar e investigar, não são passíveis de serem direcionados aos interesses individuais daqueles que "querem impor suas doutrinas" beneficindo-se do temor pela imposição da fé. Pensadores livres sempre foram espinhos nos sapatos da igreja...

borgeshalom disse...

O Segredo e o Bode da Maçonaria
*Pedro Borges dos Anjos
é Cristão Evangélico
e Mestre Maçom do
quadro da Loja Maçônica
Caridade e Segredo,
da cidade histórica
da Cachoeira, estado
da Bahia.

No livro de Daniel, capítulo 12, versículo 4, o Senhor ordena que o profeta lacre e guarde em segredo as palavras de uma mensagem expressa em um determinado livro até o fim dos tempo. Mais adiante, no mesmo capítulo, nos versículos 9 e 10, diz o Senhor: “Vai Daniel, porque estas palavras estão fechadas e lacradas até o tempo do fim. Muitos serão purificados, esbranquiçados e refinados, mas os transgressores procederão iniqüamente, e nenhum dos transgressores entenderá, mas os sábios entenderão.” Fiel às instruções do Senhor Deus, Daniel guardou e os de hoje prosseguem guardando o segredo recomendado por Deus.
Embora guardar sigilo na Ordem Maçônica vem desde sua origem, a notícia remonta do período dos apóstolos, por volta do terceiro ano depois de Cristo quando eles se dirigiram a várias localidades para pregar o evangelho. Os que foram para a Palestina, ficaram surpresos com o costume do povo judaico em falar ao ouvido de um bode, um animal muito presente na cultura do povo judeu daquele período. Os apóstolos de Cristo, ao buscarem saber as razões que sustentavam aquela postura, os palestinos davam o silêncio como resposta. Até que um Rabino de uma comunidade, em atenção à indagação do apóstolo Paulo, respondeu-lhe que tal procedimento era (e ainda é parte, até hoje em algumas aldeias do território Israelense) de um cerimonial judaico para expiação de pecados e erros, cujo povo tem o bode como confidente. Confessar erros e pecados ao um bode, junto ao seu ouvido, segundo o mencionado ritual, assegura ao pecador de que o segredo de seus delitos confessados ficam guardados, tendo em vista que bode não fala. O confessionário na Igreja Católica foi instituído anos depois, cuja instituição garante ao pecador o voto de silêncio por parte do sacerdote-confessor.
Perseguida pelo governo papal do Vaticano, por discordar frontalmente das instituições oficiais do seu poderoso império, com que a Igreja subjugou, humilhou e matou nas fogueiras da Inquisição milhões de pessoas, muitos maçons foram presos e submetidos aos inquisidores que a todo custo buscavam arrancarem deles confissões sigilosas de domínio da Ordem Maçônica, semelhantes as que o Senhor recomendou ao profeta Daniel fechar e lacrar até o tempo do fim. Um dos inquisidores, Chasmadoiro Roncalli, um reconhecido perverso dos quadros da Igreja, chegou a desabafar, com um superior seu: “Senhor, este pessoal maçom parece bode, por mais grave que eu torne o processo de flagelação a que lhes submeto, não consigo arrancar de nenhum deles quaisquer palavras.”
Remonta desse período a alcunha de bode com que se faz referência aos cidadãos maçons, em todo o mundo, como aquele que sabe guardar segredo.
Muitos associam a figura do bode ao demônio com que buscam acusar a Maçonaria de práticas satânicas, com argumentações integralmente destituídas da expressão da verdade.
Ministros da Palavra de Deus e fiéis de quaisquer segmentos da Igreja de Cristo têm compromisso com a verdade, razão por que o próprio Deus recomendou e instruiu a todos, conforme está expresso nas Escrituras Sagradas do Livro de Êxodo 23:01 “não deves propagar uma notícia inverídica. Não cooperes com o iníquo por te tornares testemunha que trama violência.”
A Maçonaria proclama a existência de Deus, os iniciados em seus templos (não são deístas) são teístas e têm a Jesus Cristo como único Salvador. Ensina que a alma é imortal. Proíbe a discussão sectária de natureza política ou religiosa em seus templos. Busca unir a todos pelos laços da fraternidade conforme recomenda Jesus “tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.”

Anônimo disse...

Gostei muito do artigo. Desprovido de preconceitos e racional. Maçonaria nunca foi e nem será uma religião, embora esteja repleta de religiosidade.
Deixo meu abraço, meus parabéns e as mais fraternais saudações.

Anônimo disse...

Racional e inteligente. Parabéns.

Marcos Castilho Alexandre disse...

A Viagem

O aprendiz chegou ao recanto de antigo orientador da vida cristã e perguntou, em seguida às saudações costumeiras:
- Instrutor, posso acaso receber as suas indicações quanto ao melhor caminho para o encontro com Deus?
A resposta do mentor não se fez esperar:
- A viagem para o encontro com Deus é repleta de obstáculos por vencer... Espinheiros, precipícios, charcos e pedreiras perigosas...
Silenciando o interpelado, o moço prosseguiu:
- Isso tudo conheço... Já visitei vários templos da Índia, quando estive por vários dias na intimidade de faquires famosos, todos eles revestidos de faculdades supranormais; arrisquei-me a cair nos despenhadeiros do Tibet para conviver com os monges santos; orei na grande Pirâmide do Egito; demorei-me na Palestina, procurando registrar impressões da paisagem na qual Jesus viveu, no entanto, estou saciado de excursões à procura da Divina Presença...
O orientador escutou com humildade e esclareceu, em seguida:
- Sim, é verdade que todas essas peregrinações e práticas auxiliam na busca do Supremo Senhor, mas, ao que me parece, há um engano de sua parte...
E arrematou:
- A viagem para o encontro com Deus é para dentro de nós.


MARCOS CASTILHO ALEXANDRE - M.'.M'.

Um católico disse...

O que borgeshalom escreveu comentário é completamente sem sentido. Entre outras: um rabino resolver contar a Paulo o que se fazia com o bode... Fariseu, assíduo à sinagoga, Saulo certamente presenciou esse rito muitas e muitas vezes, sem falar que está na Torá toda a descrição do ritual, com riqueza de detalhes.

Mas o texto é bem interessante. Só faltou ligar a "inspiração bíblica" dos ritos maçônicos ao ministério de Anderson e seus colegas, pastores anglicanos. Tecnicamente, a Maçonaria "nasceu" na Igreja (Anglicana).

A condenação católica permanece, mas sem nenhuma novidade desde 1983, data da redação do último Código de Direito Canônico - que aboliu o termo "maçom" nas condenações de movimentos anticlericais mas, em consulta à Congregatio Doctrine Fide, no mesmo ano, mantém a intenção do Código de 1917.

O que é problemático para a Igreja Católica está bem claro no texto: quem pode e deve respeitar todos os credos não pode, senão com muita dificuldade, professar uma única religião. Pode-se dizer que se é maçom e religioso, mas nenhuma das grandes religiões organizadas do mundo poderia aceitar alguém que não defendesse o seu credo, alguém que se calasse diante de opinião contrária.

Sempre respeitei outras pessoas que acreditam em outras coisas, mas não posso me calar ou aceitar tudo o que ouço.

Se possível, apenas me esclareça um ponto: sobre um maçom ajudar em tudo o outro - empregos, cargos, favorecimentos, votos conjuntos na política... Isso existe? Como funciona?

Esse é outro ponto contrário ao Evangelho cristão, que ensina que se deve fazer o bem a todos, indistintamente. A Maçonaria, segundo essa idéia, parece "nepotista".

RecipienteDaCaridade disse...

Oi Católico,

Pelo o que eu sei favoritismo é proíbido e ninguém deveria entrar pensando em ganhar favores.

Mas considere que as relações e atividades que maçons desenvolvem fora das Lojas, não são necessariamente uma regra da Loja, mas algo individual.

Como um ser humano, eu seria mais inclinado a socializar e desenvolver relações de negócios ou trabalho com aqueles mais próximos a mim e com os mesmos gostos, mas isto é uma inclinação humana, não um ditame da Maçonaria.

Entretanto é parte das obrigações de um Maçon contribuir para organizações caritárias que visam ajudarem outros Maçons em dificuldades. Estas organizações caritárias não se restringem a apenas ajudarem Maçons mas contribuem para projetos que possuem uma abrangência mais ampla e inclusiva.

Nos Estados Unidos por exemplo os Maçons são um dos maiores grupos doadores, se não o maior grupo doador, para causas que vão além da membresia maçônica.

Em nível pessoal e individual, cada Maçon contribue para sua causa favorita sem nem mesmo passar pelo caixa das Lojas Maçônicas.

Eu não tenho nenhuma relação ou nenhum parente membro da Maçonaria e fui ajudado muitas vezes por um dos postantes aqui. Quando eu ainda era garoto, esse Maçon me ensinou a falar inglês quando nós não tínhamos nenhuma condição de pagar pela já diminuta mensalidade cobrada por sua escola de inglês.

Ele não me deu dinheiro, mas me ajudou a aprender uma língua que no final me ajudou a conseguir uma melhor posição na vida (não sou rico, mas graças a Deus posso manter meus filhos e comprar meus livros para estudos pessoais, coisa que meus pais não puderam me dar).

Ele me inspirou a pensar grande a ter um ideal de vida e uma ambição saudável. Isto ele fez e faz por muita gente ainda hoje, e não tem dinheiro no mundo que possa pagar.

Multiplicando isto pela quantidade de Maçons no mundo e dividindo (afinal de contas cada um faz o que pode), a gente começa a ter uma idéia da extensão e quantidade de obras que estes homens e mulheres fazem sem nenhum alarde e fora da Maçonaria.

Abraços!

Um Recipiente Da Caridade Maçônica

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5 Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa.
6 E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício?
7 Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.
8 Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo.
9 Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.
10 Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.
11 Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua.
12 E disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata,
13 E desde então buscava oportunidade para o entregar.

jorgean disse...

ESTOU AQUI DE PASSAGEM PRA DEIXAR UM FRATERNAL ABRAÇO A TODOS OS VISITANTES DESSE BLOG, PORÉM,NÃO PODERIA DEIXAR DE PARABENIZAR AOS TUTORES DO BLOG QUE ATRAVÉS DELES PERCEBEMOS QUE AS MENTES DE MUITOS DESPREPARADOS,CURIOSOS ESTÃO MUDANDO. OS MAÇONS SÃO E SEMPRE SERÃO PESSOAS DE BEM, QUE BUSCAM A FRATERNIDADE, COM LIBERDADE E IGUALDADE A TODOS. SOU MAÇOM COM MUITO ORGULHO E SE UM DIA EU RENASCER EM OUTRA ENCARNAÇÃO QUERO SER MAÇOM NOVAMENTE....SOU COMO TODOS OS MILHÕES DE MAÇONS EM TODO O MUNDO....TENHO DEUS NO CORAÇÃO...JESUS CRISTO COMO O ÚNICO SALVADOR....AOS QUE NOS CRITICAM MEUS SENTIMENTOS DE PENA POIS SÃO PESSOAS QUE SÓ DÃO ATENÇÃO AS VOZES DA MENTIRA.....POR ISSO NOS CRITICAM....NOS CRITICAM TAMBÉM POR NÃO TEREM CARÁTER E PERSONALIDADE....AOS INICIADOS O MEU FRATERNO ABRAÇO.....SEMPRE FALAREI : "SOMOS O QUE SOMOS E NÃO O QUE PENSAM QUE SOMOS"....UM T.´.F.´.A.´.

IR.´. JORGEAN RODRIGUES
FORTALEZA-CE
EMAIL: JORGEANRODBEN@HOTMAIL.COM

Anônimo disse...

Gosto muito de blogs como este que esclarecem duvidas e nos dão a oportunidade de derrubar preconceitos. Ouvi uma frase uma vez e achei interessante comentar:"A religião é falha porque o homem é falho", acredito que a tenha ouvido em um filme. Mas é isso, temos que buscar melhorar como seres humanos, independente da religião, crença, para melhorar o mundo a nossa volta.

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Então leia o que Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da história da língua portuguesa, escreveu sobre o Segredo Maçônico.

Pedras Evoluídas

O Sol nasce e ilumina as pedras evoluídas,
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas.
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas,
Não importa se são ruins, nem importa se são boas.

Chico Science, cantor pernambucano falecido em 1997. (Uma pedra “evoluída”?)